O PicPay, um dos principais bancos digitais do Brasil, deu um passo decisivo para abrir seu capital no mercado internacional. A empresa apresentou, nesta segunda-feira (5), um pedido formal para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos.
O movimento ocorre em um momento de forte desempenho financeiro. Nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, o PicPay registrou um lucro líquido de R$ 313,8 milhões, um salto significativo em comparação com os R$ 172 milhões apurados no mesmo período do ano anterior. A receita total da companhia mais que dobrou, atingindo R$ 7,26 bilhões.
Os indicadores operacionais também mostram crescimento robusto. A base de clientes ativos do PicPay aumentou de 37,5 milhões para 42,1 milhões. Paralelamente, a receita média trimestral por cliente subiu de R$ 38,10 para R$ 65,40, indicando maior engajamento e monetização. O volume total de pagamentos processados pela plataforma atingiu a marca de R$ 392,46 bilhões, um crescimento de aproximadamente 32%.
Esta é a segunda tentativa do PicPay de realizar um IPO nos EUA. A primeira, planejada para 2021, foi cancelada devido às condições desfavoráveis do mercado na época. Controlada pelo grupo J&F (que também é proprietário da JBS), a fintech agora busca capitalizar um cenário mais receptivo para ofertas públicas.
O mercado de IPOs nos Estados Unidos, que viveu anos de atividade moderada, começou a ganhar novo fôlego em 2025. Analistas do setor projetam uma aceleração ainda maior para 2026, com expectativa de aberturas de capital de empresas dos setores de criptomoedas e finanças digitais, como Revolut, Kraken e PayPay.
O PicPay pretende listar suas ações sob o ticker “PICS” e utilizar os recursos captados no IPO para fins corporativos gerais, incluindo capital de giro, investimentos e custos operacionais. A operação conta com a coordenação de grandes instituições financeiras: Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets.
Fonte: G1