A Polícia Federal identificou evidências de que a organização de Daniel Vorcaro acessou ilegalmente sistemas confidenciais de órgãos públicos, incluindo a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até mesmo a Interpol. O banqueiro foi preso preventivamente na quarta-feira, 4 de março.
A investigação revela que Vorcaro se infiltrou nesses sistemas utilizando métodos variados. “Na Polícia Federal, por exemplo, ele obteve senhas do Ministério Público Federal e da PGR por meio de um golpe de ‘phishing’, que consiste em apresentar a funcionários uma tela falsa de troca de senha”, explicou a jornalista Malu Gaspar, que detalhou o caso no podcast O Assunto.
O phishing é uma fraude digital que utiliza mensagens falsas — como e-mails, SMS ou links — para enganar as vítimas e roubar informações confidenciais, como senhas e dados bancários.
“Ele acessou o sistema da Polícia Federal por intermédio de um escrivão aposentado, preso na operação, que atuava como intermediário para conseguir senhas de funcionários. Com isso, abriu inquéritos, comprou informações e monitorou a própria investigação contra ele”, acrescentou Gaspar.
As apurações também sugerem a possível participação de servidores do Banco Central no esquema. Dois funcionários, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, foram afastados de suas funções.
Na decisão que determinou a prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os indícios vão além de crimes financeiros e apontam para uma “milícia privada” destinada a intimidar opositores.
Também foram presos na operação o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, suspeito de ser o operador financeiro do esquema; o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva; e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
O caso expõe um submundo do crime organizado, com invasões a sistemas de segurança de instituições nacionais e internacionais.