Documentos da Polícia Federal obtidos pelo blog de Camila Bomfim no G1 revelam que os gestores do Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) deliberadamente ignoraram alertas de risco e rejeitaram propostas de bancos de primeira linha para aplicar R$ 400 milhões em ativos do Banco Master em menos de 20 dias.

A investigação aponta uma “dinâmica delitiva estruturada e sequencial”, na qual cada investigado teria desempenhado uma função específica para viabilizar o aporte. O conselheiro da Amprev, José Milton Afonso Gonçalves, é apontado como “mentor intelectual e principal articulador” das operações.

Segundo a PF, Gonçalves “deliberadamente omitiu a apresentação de comparativos de risco de crédito, rejeitando ofertas de bancos de primeira linha como Santander, BTG Pactual e Safra, sob o argumento isolado de que a taxa de retorno do Banco Master seria superior”.

O presidente do instituto, Jocildo Silva Lemos, também é citado como “garante institucional da operação”, utilizando sua posição hierárquica para neutralizar resistências internas. A PF afirma que Lemos tinha ciência de que a Caixa Econômica Federal havia recusado a aquisição dos mesmos ativos devido ao alto risco, mas optou por ignorar o sinal de mercado.

Mais grave ainda, segundo a autoridade policial, Lemos validou uma “suposta visita técnica ao Banco Master, realizada às vésperas do terceiro aporte, como um ato de mera formalidade para conferir aparência de legalidade à gestão temerária, sem produzir qualquer auditoria real”.

O juiz federal Jucélio Fleury Neto, da 4ª Vara da Justiça Federal do Amapá, considera que os indícios de crime “atingem frontalmente o interesse do Estado (gestão temerária de fundos previdenciários da AMPREV que gera prejuízo irreparável ao erário)”.

Jocildo Lemos afirma que foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Em nota, Alcolumbre disse que espera que o caso seja “devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”, defendendo que “os verdadeiros culpados sejam punidos, na forma da lei”. O senador não é investigado.

As operações do Banco Master e entidades ligadas ao grupo estão sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após liquidação determinada pelo Banco Central.