A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação de grande porte para desarticular um esquema criminoso de desvio de recursos públicos e fraudes em processos de licitação na área da saúde no Rio Grande do Norte. A ação, que cumpre 35 mandados de busca e apreensão, tem como alvo prefeitos e empresários suspeitos de envolvimento em irregularidades contratuais.
Entre os alvos está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), que nega qualquer irregularidade. Também foram cumpridos mandados contra o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), e a chefe de gabinete de José da Penha, irmã do prefeito local.
As investigações, baseadas em auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), apontam indícios de falhas na execução de contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. Segundo os documentos, há suspeitas de compra de materiais não entregues, fornecimento inadequado e sobrepreço de produtos. As empresas investigadas, sediadas no RN, atuavam junto a administrações municipais de diversos estados.
A Justiça determinou medidas cautelares contra os empresários, incluindo pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica. Um dos sócios, de Serra do Mel, foi conduzido em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Até o início da tarde, a operação havia apreendido R$ 219 mil em sete locais, 20 celulares, 17 mídias eletrônicas e 2 veículos.
Em nota, a defesa do prefeito Allyson Bezerra afirmou que não há fatos que o vinculem pessoalmente aos crimes investigados, destacando que ele colaborou com as autoridades e que a apuração demonstrará a correção de sua conduta. Os outros prefeitos alvos também se manifestaram, negando irregularidades em suas gestões e afirmando transparência e colaboração com as investigações.