A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para apurar se houve crime de obstrução de Justiça em uma suposta ação orquestrada que envolveu influenciadores digitais. A investigação tem como foco analisar se publicações pagas, favoráveis ao Banco Master e críticas ao Banco Central (BC), tiveram a intenção de interferir no processo de liquidação do banco.
O caso veio à tona após relatos de produtores de conteúdo que afirmam ter sido abordados para gravar vídeos defendendo a posição do Master e questionando a decisão do BC de decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira em novembro do ano passado.
Segundo apurações, a PF vai investigar se a campanha configurou uma forma de desinformação paga, com o objetivo de desestabilizar o sistema financeiro ou embaraçar a instrução processual do Caso Master. O crime de obstrução de Justiça, previsto em lei, pode acarretar pena de três a oito anos de reclusão, além de multa.
A autorização para a abertura do inquérito partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso. A PF realizou uma análise preliminar do material postado nas redes e identificou indícios de possíveis crimes, o que motivou o pedido formal de investigação ao Supremo.
Influenciadores como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite revelaram ter recebido propostas para uma campanha de três meses, com oito postagens mensais, iniciada em dezembro. Eles relatam que a narrativa central era a de que a liquidação do Master teria sido “precipitada”.