A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido procurados para produzir e publicar conteúdos com críticas ao Banco Central (BC). A ação teria como objetivo contestar a decisão do BC de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A autorização para a abertura do inquérito foi concedida pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF realizou uma análise preliminar de postagens em redes sociais e identificou indícios de possíveis crimes, solicitando ao STF permissão para aprofundar as investigações. O foco é apurar uma suposta ação orquestrada contra a autoridade monetária.

De acordo com relatos de produtores de conteúdo, a proposta era difundir a narrativa de que a liquidação do Banco Master teria sido “precipitada”. A informação foi inicialmente divulgada pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no portal g1. A estratégia envolveria a publicação de vídeos que ecoassem posições da Corte e colocassem em dúvida a atuação do Banco Central.

O caso veio à tona após influenciadores, como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, revelarem ter recebido propostas para defender o Master e criticar o BC em suas redes sociais. Outros influenciadores contatados pelo g1 relataram ofertas semelhantes, com contratos de três meses para a publicação de oito posts mensais, tendo sido abordados em dezembro.

Uma análise da GloboNews identificou, no mesmo período, publicações com teor crítico ao BC feitas por outros influenciadores que, somados, possuem mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram. A PF busca agora apurar se esses profissionais foram remunerados para essa atuação e se houve coordenação entre os envolvidos.

A liquidação do Banco Master foi decretada pelo BC em novembro do ano passado, logo após a PF realizar uma operação contra Daniel Vorcaro e outros integrantes da diretoria do banco, acusados de fraudes financeiras. Recentemente, a Justiça começou a ouvir os depoimentos dos investigados no caso.