A Polícia Federal (PF) investiga se o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), pagou para obter a habilitação de piloto privado para avião e helicóptero sem realizar a prova prática exigida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo apuração da Rede Amazônica Acre, o governador teria obtido o documento há cerca de três anos e pagado outra pessoa para concluir o processo de habilitação em seu lugar.

Nesta quinta-feira (5), agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do governador, localizada em um condomínio de luxo em Rio Branco. Durante a operação, foram apreendidos entre R$ 200 mil e R$ 300 mil em dinheiro e um simulador de voo. A ação faz parte de uma investigação sobre um processo de avaliação para obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação local.

Em nota divulgada após a operação, Gladson Cameli afirmou que atendeu aos policiais com “tranquilidade e transparência” e prestou todas as informações solicitadas. Ele declarou que o dinheiro apreendido é de “origem privada” e servia como reserva financeira, comprometendo-se a apresentar a comprovação às autoridades. O governador também lamentou o que chamou de “tentativas de perseguição” e “estratégia política” para atingi-lo próximo às eleições.

Nas redes sociais, Gladson Cameli se descreve como piloto e apaixonado por aviação. Em março de 2022, comemorou em uma postagem a aprovação na prova teórica do curso de piloto privado. Em outubro de 2023, postou um vídeo relembrando a conclusão do curso na Escola de Aviação Especializada na Formação Profissional de Pilotos de Avião, Aeroclube de Rondônia Oficial (RO).

O presidente do aeroclube, Valdir Antônio Vargas, informou ao g1 que Gladson Cameli procurou a empresa há cerca de três anos já com a aprovação do curso teórico e do exame médico pela Anac. Segundo ele, o governador cumpriu integralmente a carga horária prática de 40 horas, realizou o voo solo e o voo de cheque, sendo considerado apto pelo instrutor. A documentação foi então encaminhada e aprovada pela Anac, que concedeu a carteira de piloto privado.

A Anac, por sua vez, informou à Rede Amazônica Acre que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a outros dispositivos legais, não pode expor dados pessoais dos profissionais da aviação civil registrados na agência. A Polícia Federal não divulgou detalhes da operação à imprensa.