A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar uma aquisição considerada “pulverizada” de ações do Banco de Brasília (BRB). O esquema, que envolve empresários ligados ao extinto Banco Master e à Reag Investimentos, teria utilizado estruturas complexas para dificultar o rastreamento dos verdadeiros compradores.

Os investigados são Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), Maurício Quadrado (ex-sócio do Master) e João Carlos Mansur (fundador e ex-executivo da Reag Investimentos). Segundo as investigações, eles adquiriram ações do BRB como pessoas físicas, mas por meio de múltiplos fundos e estruturas intermediárias, o que mascarou sua identidade como acionistas. A condição só foi descoberta durante as apurações.

O foco da PF não é a compra de ações em si, que é lícita, mas o modelo utilizado, que teria ocultado a participação dos investidores. A investigação busca entender por que as aquisições não foram feitas de forma direta e transparente, e por que os compradores não informaram oficialmente o banco.

O caso está diretamente ligado à Operação Compliance Zero, que investiga a venda de papéis sem lastro do Banco Master para o BRB, no valor de R$ 12 bilhões. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em outubro de 2025 por insolvência. A PF aponta uma coincidência entre as pessoas e fundos envolvidos na compra das ações do BRB e aqueles que participaram das operações suspeitas entre as duas instituições.

A descoberta da participação acionária consta de um relatório de auditoria externa encomendado pela nova diretoria do BRB, que assumiu após a exoneração do então presidente Paulo Henrique Costa. O documento foi enviado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao Banco Central e à própria Polícia Federal.

De acordo com o relatório, Vorcaro, Quadrado e Mansur se tornaram acionistas sem relevância do BRB, categoria que permite a detenção de até 5% das ações, mas não confere direito a voto. A compra teria ocorrido durante a gestão anterior do banco.

A Reag Investimentos, de Mansur, também é alvo da PF. A empresa é suspeita de estruturar e administrar fundos que movimentavam recursos de forma atípica, inflavam resultados e ocultavam riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

Em nota, o BRB afirmou que a auditoria encontrou “achados relevantes” e que está adotando “inúmeras medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais” para resguardar seus interesses, recuperar créditos e obter ressarcimento de prejuízos.