Polícia Federal investiga novas suspeitas de irregularidades no Banco de Brasília

A Polícia Federal (PF) abriu um novo inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal. A investigação surge após a primeira etapa de uma auditoria independente contratada pelo banco ter identificado “achados relevantes” em seu relatório preliminar.

Contexto da investigação

O novo inquérito foi aberto para apurar indícios de práticas fraudulentas que vão além das já investigadas no contexto da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, ocorrida em março de 2025. As investigações anteriores já apontavam para um prejuízo potencial de até R$ 5 bilhões ao BRB devido à aquisição de carteiras de crédito problemáticas do Master no valor de R$ 12 bilhões.

Desdobramentos recentes

O BRB confirmou que enviou o relatório da auditoria à Polícia Federal na quinta-feira (29/01/2026) e, no dia seguinte, a abertura do novo inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Operações com o Banco Master

As investigações da PF e do Banco Central revelam que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs com juros acima do mercado e sem comprovar liquidez. Para simular solidez, o Master aplicou parte desse valor em ativos inexistentes de uma empresa chamada Tirreno, que posteriormente foram vendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões. Essas transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentava adquirir o Banco Master, operação que foi barrada pelo Banco Central.

Posicionamento do BRB

Em nota oficial, o BRB afirmou que “prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes” entregou o relatório à PF e ao Banco Central. O banco declarou estar adotando “inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais” para recuperar créditos e ativos, ressarcir prejuízos e preservar seus interesses. A instituição reafirmou sua solidez e compromisso com o desenvolvimento econômico da região.

Estabilidade financeira e apoio do GDF

Apesar do rombo financeiro, o BRB mantém-se estável. O governo do Distrito Federal, acionista controlador, já sinalizou a possibilidade de um “aporte direto” para cobrir eventuais prejuízos decorrentes das transações com o Banco Master. O banco terá de apresentar seu balanço financeiro no próximo mês, detalhando o impacto das negociações com as carteiras fraudulentas.