O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório sobre dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. O aparelho, apreendido na Operação Compliance Zero, continha menções ao ministro Dias Toffoli, relator da investigação sobre o Master no STF.
As menções aparecem em conversas armazenadas no dispositivo. Em nota, o gabinete de Toffoli classificou as referências como “ilações” e afirmou não haver motivo para alegar suspeição do ministro no caso. “Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo”, disse a assessoria, referindo-se a um pedido da PF.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, criticou o que chamou de “vazamento seletivo” de informações, argumentando que a prática prejudica o direito de defesa e favorece narrativas equivocadas.
Contexto e Polêmicas
A investigação sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro, apura uma fraude financeira de grandes proporções. Inicialmente conduzida na primeira instância, o caso foi centralizado no STF por determinação do ministro Toffoli em dezembro, passando todas as novas medidas a depender de seu aval.
Durante as investigações, a PF questionou algumas decisões de Toffoli, como uma ordem para que bens apreendidos fossem lacrados e armazenados na própria Corte – procedimento considerado atípico. Em meio a essas polêmicas, o presidente do STF passou a defender com mais ênfase a criação de um Código de Ética para ministros do tribunal e de cortes superiores.
O Esquema do Banco Master
A PF apurou que o Banco Master emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, prometendo juros acima do mercado sem comprovar liquidez para honrá-los. Para simular solidez, o banco aplicou parte dos recursos em créditos inexistentes de uma empresa chamada Tirreno.
Posteriormente, o Master vendeu esses mesmos créditos ao BRB, que pagou R$ 12,2 bilhões sem a documentação adequada, em uma operação descrita como um “socorro” ao caixa do Master. As transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o Banco Master e convencer os órgãos reguladores da viabilidade da aquisição.