Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira, com o barril superando a barreira psicológica dos US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. A escalada ocorre em meio a tensões geopolíticas renovadas no Irã, após a nomeação de um novo líder supremo e receios sobre o impacto no fornecimento global de energia.
O West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, chegou a negociar a US$ 109,17 por barril, registrando alta de 20%. Já o Brent, contrato internacional, atingiu US$ 110,35, com avanço de 19%. Os patamares não eram vistos desde fevereiro de 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
O gatilho imediato para a alta foi a nomeação, pela Assembleia de Especialistas do Irã, de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como o novo líder supremo do país. Filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba é um clérigo de linha dura com laços estreitos com os Guardas Revolucionários e assume também como comandante-em-chefe das Forças Armadas.
A sucessão gerou reações internacionais. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o novo líder “não vai durar muito” sem a aprovação americana, ameaça que foi prontamente rejeitada pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que afirmou caber apenas ao povo iraniano essa escolha.
O Irã é um ator crucial no mercado de energia, sendo o quarto maior produtor da OPEP, com cerca de 3,3 milhões de barris por dia, e detentor de cerca de 12% das reservas mundiais de petróleo. Qualquer instabilidade no país ou em rotas de transporte sensíveis, como o Estreito de Ormuz, tem impacto direto nos preços globais.
Em resposta à volatilidade, a Coreia do Sul anunciou que instituirá um teto para os preços dos combustíveis no mercado interno, medida inédita em quase três décadas. Enquanto isso, analistas alertam que a persistência dos preços elevados pode pressionar a inflação global e desacelerar a economia mundial.