Os preços do petróleo no mercado internacional registraram alta superior a 2% nesta terça-feira (13). A perspectiva de interrupções nas exportações do Irã, devido a tensões geopolíticas, ofuscou o possível aumento da oferta por parte da Venezuela.
Os contratos futuros do Brent, referência internacional, fecharam em alta de US$ 1,60 (+2,5%), cotados a US$ 65,47 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subiu US$ 1,65 (+2,8%), encerrando o dia a US$ 61,15 o barril.
“O mercado de petróleo está criando alguma proteção de preço contra fatores geopolíticos”, afirmou John Evans, analista da PVM Oil Associates. Entre os fatores citados estão a possível exclusão das exportações iranianas, problemas na Venezuela, negociações sobre a guerra da Rússia na Ucrânia e o interesse dos EUA na Groenlândia.
O Irã, um dos principais produtores da OPEP, enfrenta suas maiores manifestações contra o governo em anos. A repressão às manifestações, que segundo uma autoridade local já causou cerca de 2.000 mortes e milhares de prisões, levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a emitir um alerta sobre uma possível ação militar.
Na véspera, Trump declarou que qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25% sobre transações com os Estados Unidos. A China é o maior cliente do petróleo iraniano.
“Não acho que a China, por exemplo, vá se afastar dos barris iranianos, mas se o fizesse, e se todos o fizessem, isso reduziria os suprimentos globais em 3,3 milhões de barris por dia que atualmente são fornecidos ao mercado pelo Irã”, comentou Bob Yawger, da Mizuho Securities em Nova York.
Na terça-feira, Trump postou em sua rede social que os manifestantes no Irã deveriam “assumir suas instituições” e que “a ajuda está a caminho”. Ele também afirmou ter cancelado reuniões com autoridades iranianas até que as mortes parassem. Os preços do petróleo subiram brevemente mais de 3% após a declaração, atingindo uma máxima de três meses.
Outro fator que sinaliza um abastecimento mais restrito foi um ataque com drones não identificados a quatro petroleiros gerenciados pela Grécia no Mar Negro. As embarcações estavam a caminho do terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa, para carregar petróleo.