Os preços do petróleo registraram alta moderada nesta segunda-feira (16), enquanto o mercado avalia as implicações das próximas negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irã. O encontro, que visa reduzir as tensões, ocorre em um cenário de expectativa por aumento da oferta da Opep+.

Os futuros do petróleo Brent, referência internacional, subiram 0,6%, cotados a US$ 68,16 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA registrou alta de 0,7%, negociado a US$ 63,32 por barril, sem liquidação devido ao feriado do Dia dos Presidentes nos Estados Unidos.

Analistas apontam que os temores de interrupção no fornecimento, decorrentes das tensões geopolíticas, têm sustentado os preços. “Os temores de interrupção no fornecimento devido às tensões entre os EUA e o Irã ajudaram a manter os preços do petróleo estáveis”, afirmou Tamas Varga, analista da PVM, à Reuters.

As negociações desta semana devem ocorrer em ritmo moderado, com mercados importantes como China, Coreia do Sul e Taiwan fechados para os feriados do Ano Novo Lunar.

Na semana anterior, os dois índices de referência fecharam em queda semanal, pressionados por comentários do então presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um possível acordo com Teerã. A segunda rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano está marcada para terça-feira (17) em Genebra, com mediação de Omã.

O Irã busca um acordo que traga benefícios econômicos mútuos, incluindo investimentos em energia, mineração e compras de aeronaves. Do lado americano, autoridades se preparam para a possibilidade de uma campanha militar sustentada caso as negociações fracassem. A Guarda Revolucionária do Irã já alertou para possíveis retaliações contra bases americanas em caso de ataques.

O cenário geopolético tem impacto direto nas cotações. Analistas do SEB projetam que o aumento da tensão poderia elevar o Brent para US$ 80 por barril, enquanto um desanuviamento poderia derrubá-lo para US$ 60.

Paralelamente, os países da Opep+ consideram retomar os aumentos de produção a partir de abril em sua reunião de 1º de março, após três meses de pausa, o que atuaria como um freio à alta dos preços. Enquanto isso, as importações chinesas de petróleo russo devem atingir um novo recorde em fevereiro, conforme a Índia reduz compras sob pressão americana.