A Petrobras suspendeu as atividades de perfuração no poço Morpho, na região da Foz do Amazonas, após identificar um vazamento de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares. O incidente ocorreu no domingo (4 de janeiro) e foi prontamente contido, conforme comunicado da estatal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O local da perfuração situa-se a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas profundas. Segundo a Petrobras, o vazamento foi imediatamente isolado, as operações foram paralisadas e as tubulações afetadas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo. A empresa afirmou que não há problemas com a sonda ou com a integridade do poço, garantindo que a situação está sob controle e não oferece riscos à segurança operacional.
O material vazado é o fluido de perfuração, comumente chamado de “lama”, utilizado para resfriar a broca, remover detritos de rocha e controlar a pressão do poço. Tanto a Petrobras quanto o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacaram que se trata de um fluido biodegradável, de baixa toxicidade e à base de água, não configurando um vazamento de petróleo. Agostinho ressaltou que a sonda ainda não alcançou a camada de petróleo, o que só deve ocorrer em fevereiro.
O Ibama foi notificado através do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema) e acompanha o caso. A estatal ativou seu plano de emergência, e a expectativa é que os reparos sejam concluídos e os trabalhos retomados em breve.
Contexto da Exploração na Foz do Amazonas
A autorização para a perfuração exploratória na região foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025. A atividade ocorre no bloco FZA-M-059, parte da Margem Equatorial – uma área vista como uma nova fronteira para petróleo e gás no Brasil, com potencial comparado ao do pré-sal.
Esta fase é exclusivamente de pesquisa, destinada a coletar dados para verificar a existência de reservas comerciais de petróleo e gás. A exploração na Foz do Amazonas é alvo de debate, com ambientalistas expressando preocupações e especialistas do setor enfatizando seu potencial estratégico para a produção energética nacional.
Estudos do governo e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que a Margem Equatorial pode abrigar reservas significativas, com estimativas que apontam para um volume recuperável de bilhões de barris de óleo equivalente na Bacia da Foz do Amazonas.
Fonte: G1