A Coreia do Sul é conhecida como a maior produtora e exportadora mundial de ‘gim’, uma alga marinha seca, preta, crocante, geralmente em folha e de formato quadrado. Este alimento básico e modesto, presente nas mesas do dia a dia, viu sua popularidade global disparar, levando a uma alta de preços que começa a preocupar os apreciadores do produto no país.
Lee Hyang-ran, vendedora de ‘gim’ há 47 anos, testemunhou a mudança. “No passado, as pessoas de países ocidentais achavam que os coreanos comiam algo estranho que parecia um pedaço de papel preto”, disse ela, de sua barraca em Seul. “Nunca achei que venderia ‘gim’ para eles. Mas agora todos vêm aqui e compram.”
As exportações sul-coreanas de algas marinhas secas atingiram o recorde de US$ 1,13 bilhão em 2025, segundo o Korea Maritime Institute (KMI). O produto é tão estratégico que alguns o chamam de “semicondutor preto” do país, em referência à importância da indústria de chips.
Com a demanda em alta, os preços dispararam. Conhecido como um lanche acessível, o ‘gim’ costumava custar cerca de 100 won (R$ 0,30) por folha em 2024. Recentemente, o preço de uma única folha ultrapassou 150 won (R$ 0,55), um recorde histórico. Produtos premium chegam a 350 won por folha (cerca de R$ 1,30).
Kim Jaela, consumidora assídua, costumava comprar cerca de 500 folhas de uma vez. “Meu Deus, realmente ficou mais caro em alguns dólares! Felizmente, eu consigo aguentar mais algumas semanas com dois pacotes de ‘gim’, mas, se eu vir o mesmo preço ou um valor ainda maior depois, provavelmente não vou repor”, disse.
O apetite mundial pelo ‘gim’ reflete a crescente demanda global por produtos sul-coreanos, impulsionada pela onda cultural do K-pop e dos K-dramas. Em 2023, o gimbap (rolinho de arroz envolto em alga) da rede americana Trader Joe’s viralizou e esgotou nos EUA.
“Eu conheci o ‘gim’ porque é uma comida típica coreana que aparece com frequência nos K-dramas”, disse Miki, uma visitante japonesa de 22 anos. “No Japão, temos algo parecido chamado ‘nori’, mas o sabor é totalmente diferente. O ‘gim’ é mais leve e crocante.”
Viola, uma visitante de 60 anos de Nova York, afirmou que come o ‘gim’ como um lanche. “Eu simplesmente coloco na boca como se fosse uma batata frita”, disse, acrescentando que o produto parece uma “alternativa mais saudável”.
“De países asiáticos a ocidentais, mais pessoas estão se familiarizando com o ‘gim’, o que aumenta a demanda global”, disse Lee Eunhee, professora de estudos do consumidor da Inha University. “Para atender à demanda externa, os preços no mercado interno estão sendo pressionados para cima.”
Kim Namin, que administra uma fábrica de processamento de ‘gim’ temperado em Wando, confirmou a pressão. “Não há fábricas de ‘gim’ suficientes para acompanhar o aumento da demanda”, disse, acrescentando que a família considera expandir as operações. Ele destacou que o ‘gim’ é um alimento altamente sensível a preço na Coreia do Sul, historicamente associado à acessibilidade.
Autoridades e especialistas apontam que o aumento de preços é impulsionado por múltiplos fatores, incluindo inflação, custos de mão de obra e queda da produção em outros países, mas o crescimento da demanda global continua sendo o principal motor.
Em resposta, o governo e as empresas estão adotando medidas. O Ministério dos Oceanos e da Pesca prometeu monitorar de perto a situação para estabilizar os preços. Empresas como a Pulmone planejam criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de algas em terra firme, permitindo a colheita ao longo de todo o ano.
De volta ao mercado de Seul, os negócios vão bem para Lee Hyang-ran. “O ‘gim’ está vendendo como água… especialmente o usado para fazer gimbap”, disse. “Fico feliz que o ‘gim’ coreano esteja ficando popular.”