Uma pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15), revela que a maioria dos brasileiros considera equivocada a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à operação militar dos Estados Unidos que capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Quando questionados se a resposta de Lula, que classificou a ação americana como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional”, foi certa ou errada, 51% dos entrevistados avaliaram como errada. Apenas 37% consideraram certa, enquanto 12% não souberam ou não responderam.

O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Neutralidade é a posição preferida

A pesquisa também investigou qual deveria ser a postura oficial do governo brasileiro diante do episódio. A posição majoritária, com 66% das intenções, é que o Brasil se mantenha neutro, sem apoiar nem se opor às ações do ex-presidente norte-americano Donald Trump. Apoiar a medida foi a opção de 18%, enquanto se opor foi a de apenas 10%.

Impacto eleitoral limitado

Apesar da discordância da maioria sobre o tema, a reação de Lula não deve ter um impacto significativo no cenário eleitoral. Para 71% dos entrevistados, a postura do presidente não afeta sua decisão de voto para as eleições presidenciais de 2026. Entre os que são influenciados, 17% afirmam que a crítica os faz preferir um candidato de oposição, e apenas 7% dizem que passa a preferir Lula.

Aprovação da ação americana e temor no Brasil

Sobre a operação militar em si, os brasileiros estão divididos: 46% aprovam a ação dos EUA na Venezuela, enquanto 39% a desaprovam. Um dado que chama a atenção é que 58% dos entrevistados declararam ter medo de que uma ação semelhante à realizada na Venezuela possa acontecer no Brasil. Outros 40% disseram não ter esse temor.

Contexto da captura de Maduro

Nicolás Maduro foi deposto e preso por forças militares em 3 de janeiro, sendo posteriormente levado aos Estados Unidos, onde deve ser julgado por supostas ligações com o narcotráfico. Quem assumiu o governo interino da Venezuela foi a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que negociou com os americanos a abertura do mercado petrolífero venezuelano para empresas dos EUA. A permanência da estrutura do regime chavista frustrou expectativas da oposição interna. Inicialmente, Trump descartou que a líder opositora e ganhadora do Nobel da Paz de 2025, Maria Corina Machado, pudesse assumir o poder.