A mais recente pesquisa Quaest, divulgada em fevereiro de 2026, confirma o presidente Lula na liderança das intenções de voto, mas revela um cenário eleitoral que se estreita significativamente. O principal destaque é a redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, que passou de dez pontos em dezembro para apenas cinco pontos na medição atual.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avalia que os números consolidam o senador Flávio Bolsonaro como o principal nome da oposição na corrida presidencial, especialmente após a desistência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que optou pela reeleição.
1. Liderança estável, mas vantagem diminui
Lula aparece à frente em todos os sete cenários de primeiro turno testados, com percentuais entre 35% e 39%. Flávio Bolsonaro ocupa o segundo lugar, com índices que variam de 29% a 33%. A maior diferença entre eles é de oito pontos; a menor, de quatro.
No segundo turno, a vantagem do presidente sobre o senador, que era de dez pontos em dezembro, caiu para sete em janeiro e agora está em cinco pontos. “A pesquisa revela uma diminuição residual da vantagem de Lula para Flávio”, afirma Felipe Nunes.
2. Flávio Bolsonaro se consolida como principal opositor
Sem a presença de Tarcísio, Flávio Bolsonaro se consolidou como o candidato preferido do eleitorado de direita. Entre os que se declaram bolsonaristas, ele registra entre 87% e 93% das intenções de voto. Na direita não bolsonarista, os índices variam de 62% a 72%.
A pesquisa também mostra que 69% dos entrevistados sabem que o senador recebeu o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para 44%, Bolsonaro acertou ao indicar o filho, índice que era de 36% em dezembro.
3. A batalha decisiva pelos eleitores independentes
O grupo dos eleitores independentes, que corresponde a 32% do eleitorado e pode definir a eleição, apresenta um cenário mais disputado. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro nesse segmento, que era de 16 pontos, caiu para apenas cinco pontos. Atualmente, Lula tem 31% entre os independentes, contra 26% de Flávio.
4. Alta rejeição para ambos os candidatos
Lula e Flávio Bolsonaro apresentam índices de rejeição praticamente iguais: 54% para o presidente e 55% para o senador. Entre os eleitores independentes, ambos registram o mesmo índice de rejeição: 64%.
Felipe Nunes destaca que Lula leva uma pequena vantagem por ter um potencial de voto um pouco maior (42% contra 36% de Flávio), mas a alta rejeição de ambos sugere uma eleição extremamente competitiva.
5. Maioria não vê Lula merecendo novo mandato
Apesar de liderar as intenções de voto, 57% dos entrevistados afirmam que Lula não merece ser reeleito. Apenas 39% consideram que ele deve continuar. “Lula lidera todos os cenários, mas ainda não conseguiu empolgar a maioria”, analisa Nunes.
6. Medo dividido entre os dois polos
Quando questionados sobre o que mais temem para o país, 44% dos entrevistados afirmam ter receio de uma volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 41% dizem temer a reeleição de Lula. “A variável que mede o medo continua sugerindo um empate técnico se a eleição for entre os dois polos”, avalia o diretor da Quaest.
7. Ratinho Jr. é o melhor posicionado do PSD, mas distante
A pesquisa também testou os três governadores do PSD citados como possíveis candidatos: Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS). Ratinho aparece mais bem colocado, mas permanece distante de Lula e Flávio Bolsonaro, alcançando 8% em seu melhor cenário de primeiro turno. Em um segundo turno hipotético contra Lula, Ratinho marcaria 35%, contra 43% do presidente.
Os números da Quaest pintam um retrato de uma disputa presidencial que, embora ainda tenha Lula na frente, se mostra cada vez mais apertada e polarizada, com Flávio Bolsonaro emergindo como a principal força de oposição.