A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), indica um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições de 2026. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 6 e 9 de março e aponta para uma polarização cristalizada a seis meses da disputa.

Pela primeira vez na série histórica da consultoria, Lula e Flávio aparecem numericamente empatados, ambos com 41% das intenções de voto. A vantagem do presidente, que era de dez pontos em dezembro, reduziu-se gradualmente até desaparecer. Na pesquisa de fevereiro, Lula tinha 43% e Flávio, 38%.

Principais destaques da pesquisa

  • Empate inédito: Ambos os candidatos registram 41% no cenário de segundo turno. Os indecisos somam 2%, enquanto brancos, nulos e abstenções representam 16%.
  • Disputa pelo voto independente: Pela primeira vez, Flávio aparece à frente de Lula entre os eleitores que se declaram independentes, com 32% contra 27% do presidente. Este grupo corresponde a 32% do eleitorado.
  • Piora na avaliação do governo: A desaprovação ao governo Lula atingiu 51%, contra 44% de aprovação. É o pior índice desde julho de 2025, segundo a Quaest.
  • Pessimismo econômico: Quase metade dos brasileiros (48%) avalia que a economia piorou nos últimos 12 meses. A expectativa de melhora para os próximos meses também caiu, de 48% em janeiro para 41% agora.
  • Corrupção como preocupação: O tema subiu para a segunda maior preocupação dos brasileiros (20%), atrás apenas da violência (27%) e à frente de problemas sociais (18%).
  • Batalha de rejeições: Pela primeira vez, o medo de “mais um governo Lula” (43%) superou numericamente o temor da “volta da família Bolsonaro ao poder” (42%).
  • Calcificação da disputa: Nos cenários de primeiro turno, Lula oscila entre 36% e 39%, enquanto Flávio varia de 30% a 35%. Os demais pré-candidatos aparecem com percentuais menores, indicando uma disputa concentrada.

Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirma que o empate reforça a tese de uma polarização cristalizada. “Flávio tem conseguido monopolizar o eleitor bolsonarista, tem crescido no eleitor de direita e melhorado seu desempenho no eleitor independente”, analisa.

A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.