Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15), revela que os brasileiros estão divididos quanto à ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura e extradição do presidente Nicolás Maduro. Segundo o levantamento, 46% da população aprova a operação, enquanto 39% a desaprova. Outros 15% não souberam ou não quiseram responder.

O estudo, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Divisão por posicionamento político

A análise dos dados por afinidade política mostra um cenário polarizado. Entre os entrevistados que se declaram lulistas, a desaprovação atinge 62%, contra 19% de aprovação. No espectro oposto, entre os bolsonaristas, 71% aprovam a ação e 21% desaprovam.

Confira os resultados detalhados por grupo:

  • Lulista: Aprova: 19%; Desaprova: 62%; Não sabe/Não respondeu: 19%.
  • Esquerda não lulista: Aprova: 30%; Desaprova: 65%; Não sabe/Não respondeu: 5%.
  • Independente: Aprova: 44%; Desaprova: 35%; Não sabe/Não respondeu: 21%.
  • Direita não bolsonarista: Aprova: 74%; Desaprova: 18%; Não sabe/Não respondeu: 8%.
  • Bolsonarista: Aprova: 71%; Desaprova: 21%; Não sabe/Não respondeu: 8%.

Percepções sobre os motivos da ação

Quando questionados sobre a principal razão que teria levado os EUA a capturar Maduro, as respostas foram variadas. A maioria (31%) acredita que o objetivo é combater o narcotráfico. Outros 23% apontam a restauração da democracia, e 21% acreditam que o interesse é controlar o petróleo venezuelano.

Os demais resultados foram: reduzir a influência da China (4%), uma combinação de todas as anteriores (6%), nenhuma dessas é a verdadeira razão (2%) e não sabe/não respondeu (13%).

Aceitação da interferência estrangeira

De forma geral, metade dos brasileiros (50%) considera aceitável que um país interfira em outro para prender um ditador. Por outro lado, 41% acham essa prática inaceitável. O apoio a essa premissa é mais forte entre eleitores de direita: 75% na direita não bolsonarista e 73% entre os bolsonaristas a consideram aceitável.

Contexto da operação

Nicolás Maduro foi deposto e preso por forças americanas no dia 3 de janeiro. Ele foi levado aos Estados Unidos, onde será julgado por acusações de ligação com o narcotráfico. Atualmente, quem governa a Venezuela é a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que negociou com os americanos a abertura do mercado de petróleo do país a empresas dos EUA.

A permanência da estrutura do regime chavista no poder, mesmo após a deposição de Maduro, frustrou expectativas da oposição venezuelana. Inicialmente, o governo Trump descartou a possibilidade de a líder opositora Maria Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz de 2025, assumir o comando do país.