Peritos da Polícia Federal (PF) manifestaram preocupação técnica com a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o envio das provas da operação Compliance Zero, relacionada ao caso do Banco Master, para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em nota divulgada nesta quinta-feira (15), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) alertou para o risco de “perda de vestígios relevantes” devido à ausência de envio imediato dos materiais para perícia criminal oficial.

“A postergação do envio ou a realização dos exames fora das unidades oficiais de criminalística, sobretudo em relação a dispositivos eletrônicos, pode levar a perda de vestígios relevantes para a persecução penal, ou mesmo à perda de oportunidades técnicas, por vezes irrepetíveis, como a análise de aparelhos ainda ativos ou recentemente desbloqueados”, afirmou a associação.

O caso teve uma série de reviravoltas. Após a segunda fase da operação, Toffoli havia determinado que as provas ficassem lacradas no próprio STF. Diante de um pedido de revisão da PF, que apontou risco de frustração da investigação, e de um parecer da PGR, o ministro alterou a decisão e determinou que o material fosse para a Procuradoria.

Posteriormente, nesta quinta-feira, Toffoli autorizou a Polícia Federal a realizar a perícia dos celulares apreendidos, mas com restrições: apenas quatro peritos da corporação terão acesso ao material, e a PGR deverá acompanhar os trabalhos.

O caso do Banco Master, que investiga supostas irregularidades financeiras, tem gerado grande repercussão no sistema financeiro e no cenário político brasileiro.