O Parlamento Europeu está em vias de congelar o acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado, numa medida de retaliação às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, relacionadas com a anexação da Gronelândia. Líderes parlamentares europeus indicaram esta terça-feira que existe um consenso político para a suspensão do tratado, que deverá ser formalizada na quarta-feira.
A presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Pérez, afirmou que os grupos políticos da instituição concordam com a medida. A decisão surge como resposta direta às declarações de Trump, que anunciou a intenção de aplicar tarifas de 10% a oito países europeus caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a ilha ártica, com aumentos previstos para 25% em junho.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem” e apoiou a suspensão do acordo, referindo que a Comissão Europeia tem “instrumentos muito poderosos” para responder a Washington. O acordo comercial, assinado em julho do ano passado, impunha tarifas de 15% dos EUA sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a UE concordava em reduzir taxas sobre importações americanas. O tratado ainda não estava em vigor, aguardando aprovação formal.
A suspensão reabre a possibilidade de a UE impor tarifas retaliatórias aos EUA, avaliadas em 93 mil milhões de euros, e restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em Davos que a soberania da Gronelândia é “inegociável” e alertou que medidas tarifárias entre os blocos seriam um erro estratégico.
Trump justifica o interesse na Gronelândia pela sua localização estratégica no Ártico, crucial para o comércio global, exploração de recursos e para a construção de um escudo antimíssil designado “Domo de Ouro”. Em resposta, vários países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, em coordenação com a Dinamarca e no âmbito da NATO. A crise já motivou protestos populares na Gronelândia e em Copenhaga contra a intenção de anexação.