Mesmo durante o recesso parlamentar, articulações avançaram para a criação de comissões de inquérito sobre o Banco Master. Parlamentares conseguiram o número mínimo de assinaturas para duas frentes: uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e uma CPI no Senado. No entanto, a efetiva instalação de ambas depende do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirma ter reunido 43 assinaturas, superando o mínimo de 27. Na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) lidera a coleta para a CPMI, com 258 assinaturas até o momento (217 deputados e 41 senadores), número que já atende aos requisitos regimentais. Jordy, contudo, almeja 297 apoios, equivalente à metade do Congresso, e afirma haver resistência de setores à investigação.

Pelo regimento, a CPMI teria criação automática uma vez cumpridos os requisitos, devendo ser lida na primeira sessão subsequente ao protocolo. A decisão final, porém, cabe a Alcolumbre.

Paralelamente, deputados como Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP) buscam uma CPI exclusiva na Câmara, cuja instalação depende do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Rollemberg diz ter 185 assinaturas, número suficiente.

O caso se entrelaça com a CPMI do INSS, onde quebras de sigilo relacionadas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foram aprovadas, mas tiveram o acesso bloqueado por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF. Os documentos estão sob custódia de Alcolumbre. Agora, parlamentares da oposição pedem ao ministro André Mendonça, também do STF, acesso a esse material.

Em outra frente, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) criou um grupo de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para acompanhar as investigações, com instalação prevista para 4 de fevereiro. O grupo, que inclui oposição e governo, deve se reunir com autoridades do STF e TCU e convidar órgãos como Banco Central e Polícia Federal.

O cenário de ano eleitoral e a resistência interna no Congresso são apontados como possíveis obstáculos para o avanço pleno das investigações parlamentares.