A ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”, é destinada a presos com prerrogativas especiais, como militares e autoridades. Recentemente, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve sua transferência para o local determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, após condenação pelo STF. O local já abriga ou abrigou outras figuras públicas condenadas.

Localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a Papudinha possui capacidade para até 60 detentos, distribuídos em oito alojamentos coletivos. As instalações, reformadas em 2020, incluem banheiro com box e chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala de estar, além de acesso a televisão e ventilação mecânica. Há também sala para advogados, consultório médico e área para práticas esportivas.

O Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), que administra a unidade, é destinado a: militares estaduais ainda vinculados à corporação; presos militares aguardando condenação que possa resultar na perda do cargo; e civis com direito à “Sala de Estado-Maior”, como advogados e autoridades. A unidade é fiscalizada pela Vara de Execuções Penais (VEP).

Quem está ou já esteve na Papudinha?

  • Anderson Torres: Ex-ministro da Justiça, cumpre pena no local desde novembro de 2025 por participação na trama golpista.
  • Silvinei Vasques: Ex-diretor-geral da PRF, condenado a mais de 24 anos por participação na tentativa de golpe. Foi preso no Paraguai e transferido para a Papudinha.
  • Ex-cúpula da PMDF: Cinco dos sete ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do DF, condenados por omissão, cumpriram pena brevemente no local.
  • Benedito Domingos: Ex-vice-governador do DF, cumpriu pena em 2016 por fraude em licitação e corrupção passiva, antes de ser beneficiado com prisão domiciliar e posterior indulto.
  • Francisco Araújo: Ex-secretário de Saúde do DF, ficou preso na Papudinha em 2020 durante a operação Falso Negativo, sendo absolvido em 2023.

A determinação da transferência de Bolsonaro para a Papudinha marca um novo capítulo na história da unidade, que se tornou um símbolo do cumprimento de pena por parte de autoridades condenadas por crimes graves.