O Grupo Pão de Açúcar (GPA), responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar, firmou um acordo com seus principais credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. A medida envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas e tem como objetivo reorganizar as finanças da empresa sem recorrer à recuperação judicial.
A recuperação extrajudicial é um acordo em que uma empresa renegocia parte de suas dívidas diretamente com credores, fora da Justiça. O objetivo é ganhar prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como a falência, mantendo as operações da empresa funcionando normalmente.
O plano tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias. Dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não fazem parte do plano e, portanto, não serão afetadas. Na prática, isso significa que as lojas da companhia seguirão abertas e funcionando.
Entenda a crise do Grupo Pão de Açúcar
O Grupo Pão de Açúcar tem enfrentado dificuldades financeiras há anos, reflexo de uma série de acontecimentos que impactaram os resultados da companhia ao longo do tempo. Entre os principais fatores, estão:
- a baixa demanda vista em períodos de alta na inflação de alimentos;
- o nível elevado dos juros por tempo prolongado, que afetaram os resultados devido ao alto grau de endividamento da companhia;
- custos com mudanças internas na gestão;
- pagamentos de dívidas fiscais e trabalhistas; e
- reconhecimento de perdas em lojas com baixo desempenho.
Diante desse cenário, a empresa — que já vinha reportando prejuízos líquidos anuais desde 2022 — ligou o alerta dos investidores ao informar, no resultado do último trimestre do ano passado, que havia dúvidas sobre sua capacidade de dar continuidade às suas operações.
Segundo nota explicativa divulgada pela companhia, o grupo apresentava um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no final do ano passado, resultado de empréstimos e títulos de dívida com vencimento em 2026. Assim, mesmo com resultados melhores nas vendas, a empresa continuou a registrar prejuízo.
“Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, disse a empresa no documento, divulgado no final de fevereiro.
A empresa ainda informou que já vinha adotando iniciativas para reduzir os riscos de que sua operação fosse afetada, já tendo iniciado negociações com seus credores para o alongamento dos prazos de dívidas financeiras, redução do custo financeiro e de despesas e monetização de créditos tributários.
Como será a recuperação extrajudicial do GPA?
Segundo a companhia, o plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já recebeu o apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no processo — um montante equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões. Esse percentual supera o mínimo exigido pela legislação para dar início a tipo de negociação.
O acordo prevê a suspensão temporária dos pagamentos dessas dívidas enquanto a empresa negocia novas condições para quitar suas obrigações. A companhia pretende conseguir apoio da maioria dos credores e chegar a uma solução definitiva para reorganizar seu endividamento.
Em comunicado ao mercado, o GPA afirmou que a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida e fortalecer o balanço da companhia, criando condições para resolver problemas de liquidez no curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira no longo prazo.
A empresa também disse que suas operações seguirão normalmente e que está em dia com pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais. O plano, segundo o GPA, foi estruturado justamente para preservar a operação do negócio enquanto as negociações com credores avançam.