Os pais da jovem de 18 anos que acusa o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de assédio sexual, procuraram a esposa do magistrado, Katcha Valesca, para relatar a versão da filha. O blog teve acesso às trocas de mensagens entre eles.

Na conversa, o pai da garota disse a Katcha que sua família tem um “carinho familiar por ela” e que a casa deles continuará aberta, mas em seguida descreve o ocorrido. “Não existe maneira fácil ou não dolorosa de contar o que houve, então serei direto: a [nome da jovem] foi molestada sexualmente pelo Marco no mar, hoje”, afirmou.

Katcha expressou incredulidade na resposta. “Nunca imaginaria isso, nem nos meus piores pesadelos. Ainda não sei o que fazer. Só entendam que estou casada há 43 anos e nunca aconteceu nada desta natureza. Está difícil. Acabou com a minha vida”.

A mãe da jovem também enviou uma mensagem, dizendo ter “confrontado” Marco. “Disse que [nome da garota] estava chorando e ele me perguntou se seria melhor ele não ir para casa. Eu disse que não porque tive receio de confronto, temendo o pior”, relatou. “Estamos muito abalados pela quebra de confiança. Tínhamos em Marco um pai, amigo, até um avô para meus filhos”.

Em outra mensagem, Katcha questionou o relato. “Até agora não entendi muito bem tudo que aconteceu. De uma coisa tenho certeza. Nos 47 anos que conheço Marco, nunca soube de nada parecido do que você me relatou. Ele trabalhou no Juízado da Infância e Juventude por 13 anos como juiz e lidou com toda espécie de crianças e adolescentes”, afirmou.

Ela acrescentou que Marco é professor e “convive diariamente com jovens” e que “nunca houve ruídos de abordagem”. Katcha também mencionou que a jovem “tem problemas emocionais muito graves” e lamentou que a família tenha partido imediatamente após o episódio, “como se fôssemos criminosos”.

Buzzi é investigado por importunação sexual e nega a acusação. Sua defesa emitiu nota na sexta-feira (6) classificando como um “inaceitável retrocesso civilizacional a tentativa de julgar e condenar uma pessoa antes mesmo do início formal de uma investigação”.

Relato do suposto assédio

Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo em 14 de janeiro, a jovem afirmou que o assédio ocorreu durante uma viagem à casa de praia do ministro em Balneário Camboriú, Santa Catarina, no início deste ano.

Segundo ela, Buzzi a levou para uma área afastada da praia, dizendo que seria “mais tranquilo” para entrarem no mar. Dentro da água, o ministro teria se aproximado fisicamente e comentado, ao ver pessoas próximas, que estava com frio e que “deve ser por isso que eles estão abraçados”.

A jovem relatou que Buzzi a virou de costas, pressionou seu corpo contra o dele, disse que a achava “muito bonita” e tocou suas nádegas. Ela tentou se soltar e só conseguiu após várias tentativas, porque o ministro a puxava de volta.

Após o episódio, a jovem deixou a praia sozinha, retornou ao condomínio e contou imediatamente aos pais. A família decidiu encerrar a viagem e voltar a São Paulo.

Andamento do caso

O caso foi revelado pelo site da revista “Veja” na quarta-feira (4) e confirmado pelo g1 e pela TV Globo. As investigações tramitam em sigilo por se tratar de crime sexual.

O inquérito foi notificado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Buzzi tem direito ao foro privilegiado. O crime é investigado como importunação sexual, com pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão.