O acordo de unidade firmado pelos governadores Ratinho Jr. (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) isolou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, criando um paralelo histórico com a situação vivida por Paulo Maluf em 1985.
Naquele ano, Maluf, ao concorrer na eleição indireta contra Tancredo Neves, não conseguiu unificar a direita. Ele deixou de ser o representante único do bloco que apoiou a ditadura militar e tornou-se, essencialmente, o candidato apoiado apenas pelo general João Figueiredo.
O movimento dos três governadores representa um risco similar para Flávio Bolsonaro: a perda do status de rosto único da direita para se tornar uma “candidatura capricho”, ungida principalmente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto Maluf precisou vencer uma convenção partidária contra o ex-ministro Mário Andreazza para se tornar candidato do PDS, Flávio Bolsonaro ascendeu sem um processo competitivo interno, escanteando figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sua candidatura foi construída mais pelo “poder de sangue” do que por ampla negociação política.
Historicamente, o rompimento com os generais nos anos 1980 também foi impulsionado por governadores e ex-governadores, como Antonio Carlos Magalhães, José Sarney, Marco Maciel e Aureliano Chaves, que se recusaram a ser meros cumpridores de ordens.
Ao selarem seu pacto, Ratinho Jr., Caiado e Leite enviaram um sinal claro de que não estão mais subordinados aos desejos de Jair Bolsonaro. Esse papel de alinhamento total com o bolsonarismo recaiu, por ora, sobre Tarcísio de Freitas, justamente o governador visto como uma opção preferencial da direita para 2026.