O ouro registrou forte alta nesta quarta-feira (4), consolidando o maior ganho diário em 17 anos registrado na véspera. A cotação à vista do metal avançou 0,4%, negociada a US$ 4.958,75 por onça, aproximando-se da barreira psicológica de US$ 5 mil. Os contratos futuros com vencimento em abril subiram 1%, para US$ 4.983,49.
O movimento reflete uma fuga de investidores para ativos considerados de refúgio, diante de um cenário marcado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e por incertezas sobre a trajetória futura dos juros americanos.
Geopolítica e Independência do Fed no Centro das Atenções
No campo geopolítico, as Forças Armadas dos EUA informaram na terça-feira a derrubada de um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia. O incidente ocorre em um momento delicado, enquanto diplomatas tentam viabilizar negociações nucleares entre os dois países.
Paralelamente, declarações do presidente americano, Donald Trump, reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve (Fed). Ele afirmou que a investigação envolvendo o presidente da instituição, Jerome Powell, “deveria seguir até o fim”, alimentando dúvidas sobre a independência da política monetária.
“Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”, afirmou Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, em entrevista à Reuters.
Recuperação Após Correção e Perspectivas
O ouro vem se recuperando de uma forte correção registrada no início da semana, quando acumulou queda próxima de 10% em dois dias, o maior recuo em décadas. A pressão na época foi intensificada pela indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed e pelo aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME.
Apesar da volatilidade recente, o metal ainda acumula valorização superior a 17% no ano. Analistas projetam que o ambiente continue favorável.
“Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS. “Os preços do metal devem subir ao longo do ano.” Como o ouro não oferece rendimento, ele costuma se tornar mais atrativo quando os juros estão baixos ou em queda. Atualmente, o mercado projeta ao menos dois cortes da taxa básica americana em 2026.
Mercado Aguarda Dados e Desempenho de Outros Metais
Os investidores agora aguardam a divulgação do relatório de emprego do setor privado nos EUA (ADP), que pode oferecer pistas sobre os próximos passos do Fed.
Entre outros metais preciosos, a prata à vista subiu 3,58%, cotada a US$ 88,20 por onça, recuperando-se após recuar para a mínima de um mês no início da semana. A platina avançou 0,74%, para US$ 2.225,20, e o paládio subiu 0,48%, a US$ 1.767.