Os preços do ouro e da prata protagonizaram uma recuperação expressiva nesta terça-feira (3), após dois dias de fortes quedas. O metal dourado registrou sua maior valorização diária desde novembro de 2008, com investidores aproveitando os níveis de preço mais baixos para retomar posições.

O ouro à vista avançou mais de 6%, sendo negociado a US$ 4.953,35 por onça. Esse movimento representa uma recuperação significativa em relação à mínima de US$ 4.403,24 registrada na véspera, embora ainda permaneça abaixo do recorde histórico de US$ 5.594,82 alcançado na semana passada. Nos contratos futuros para entrega em abril, a alta foi de 6,8%, com o preço atingindo US$ 4.968,70 por onça.

A prata apresentou desempenho ainda mais robusto, com valorização de 10,8%, cotada a US$ 85,33 por onça. Este avanço ocorre após o metal ter sofrido uma queda de 27% na sexta-feira e um novo recuo de 6% na segunda-feira.

Analistas interpretam as perdas recentes como um ajuste dentro de uma tendência de alta mais ampla. Peter Grant, vice-presidente da Zaner Metals, avalia que os fatores fundamentais que sustentaram a valorização do ouro nos últimos anos permanecem intactos. Ele projeta um período de estabilização, com suporte próximo a US$ 4.400 e resistência na região de US$ 5.100.

Os metais preciosos haviam recuado nos dias anteriores, pressionados pela indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed) em maio, substituindo Jerome Powell. O mercado espera que Warsh apoie cortes de juros, mas adote uma postura mais restritiva em relação ao tamanho do balanço do banco central americano.

Outro fator de pressão foi a decisão da CME Group de elevar as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos, medida que tende a reduzir a alavancagem dos investidores.

Apesar da volatilidade, a perspectiva de analistas para o médio e longo prazo permanece positiva, com expectativa de novos recordes ao longo do ano. Jeffrey Christian, da CPM Group, prevê uma retomada gradual da valorização, sustentada pelas preocupações contínuas dos investidores com o cenário econômico e político global.

O ouro, tradicionalmente visto como ativo de proteção em momentos de incerteza, tende a se beneficiar de ambientes de juros mais baixos. O cenário atual é marcado ainda pelo adiamento do relatório de emprego de janeiro nos EUA, devido a uma paralisação parcial do governo federal.

Entre outros metais, a platina à vista subiu 4,8%, para US$ 2.227,85 por onça, enquanto o paládio avançou 2,9%, para US$ 1.755,00.