Um caminhoneiro do interior da Bahia afirma ter sido vítima de um calote de R$ 28 mil por serviços prestados numa obra financiada com recursos do antigo orçamento secreto. Jaelson Brito, morador de Limoeiro, zona rural de Campo Formoso (BA), realizou trabalhos de terraplanagem numa estrada que nunca foi concluída.

“Pagaram o primeiro e o segundo mês. Depois, só nas medições. Fiquei com R$ 28 mil para receber”, relatou o caminhoneiro.

Enquanto Jaelson tentava, em vão, receber o valor devido em 2024, os donos da empreiteira responsável pela obra foram detidos no aeroporto de Salvador com malas repletas de dinheiro vivo. As prisões integram a Operação Overclean, da Polícia Federal, que investiga o desvio de verbas parlamentares e já identificou um esquema de R$ 1,4 bilhão em quatro anos.

O caso ilustra o impacto humano de um sistema marcado pela opacidade. Entre 2020 e 2022, o orçamento secreto movimentou R$ 38 bilhões até ser declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após a decisão, parlamentares passaram a ampliar o uso das emendas de comissão, que somaram R$ 8,6 bilhões em 2025 e também são alvo de críticas por falta de transparência.

Em nota, a Codevasf afirmou que executa seus recursos orçamentários em estrita observância à lei e às orientações dos órgãos de controle. Já o DNOCS informou que 65% do contrato com a empresa Allpha foram executados e pagos, e que desconhece comprovação de superfaturamento pela PF. A reportagem não conseguiu contato com a empresa Allpha.