Parlamentares da oposição ao governo federal manifestaram críticas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro. O enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” foi alvo de questionamentos judiciais e políticos nos dias que antecederam a apresentação.

Partidos e parlamentares oposicionistas argumentaram que o desfile caracterizaria propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou um pedido de liminar para proibir a apresentação, mas os ministros alertaram que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral. Após o alerta, o governo emitiu recomendação para que autoridades evitassem manifestações com características de campanha.

O presidente Lula e a primeira-dama, Janja da Silva, acompanharam o desfile de um camarote. Em nota, Janja afirmou que decidiu não desfilar em um carro alegórico, apesar de haver “segurança jurídica para isso”, para evitar “possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula”.

Na segunda-feira (16), após o desfile, o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente, alegando “propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público”. Outros parlamentares, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), também anunciaram medidas judiciais.

O desfile contou a trajetória do presidente Lula, desde a infância no Nordeste até a Presidência da República. Alegorias e performances fizeram referências a momentos políticos recentes, incluindo representações de ex-presidentes como Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Uma ala intitulada “Neoconservadores em Conserva”, com fantasias que satirizavam um modelo tradicional de família, gerou reações de parlamentares evangélicos, que acusaram a escola de ridicularizar crenças religiosas.

Em resposta, o Partido dos Trabalhadores (PT) emitiu nota afirmando que a homenagem não configura propaganda eleitoral antecipada, por ter sido “realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto”. O partido citou jurisprudência do STF e do TSE sobre liberdade de expressão artística e reafirmou que atua em estrita observância à legislação eleitoral.