Operação Vassalos: PF investiga esquema criminoso envolvendo ex-senador e filhos
A Polícia Federal deflagrou a Operação Vassalos, que tem como alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e seus filhos, Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, e Fernando Filho, deputado federal (União Brasil). A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, apura um suposto esquema de desvios de emendas parlamentares, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo uma empreiteira, uma concessionária e a sede da prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, o núcleo político liderado pela família Coelho direcionava recursos de emendas parlamentares e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) para a prefeitura de Petrolina e para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Os valores eram, posteriormente, repassados à empresa Liga Engenharia Ltda. por meio de contratos de pavimentação. A investigação aponta que, após o recebimento, ocorria o pagamento de vantagens indevidas e a ocultação patrimonial através de saques em espécie, triangulações financeiras e uso de empresas ligadas à família.
Números do esquema
- R$ 198,8 milhões em convênios para pavimentação firmados por Petrolina.
- R$ 120,1 milhões destes recursos vieram de emendas e TEDs de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho.
- R$ 190,5 milhões em empenhos do município pagos à Liga Engenharia desde 2017.
- R$ 94,7 milhões em recursos federais foram direcionados à Liga, com alta probabilidade de origem nas emendas da família.
- R$ 5,5 milhões em 15 aportes para uma empresa que tem como única sócia a esposa do deputado Fernando Filho.
Os núcleos investigados
Núcleo Político (Família Coelho)
- Fernando Bezerra Coelho (ex-senador): Líder do núcleo, exerceu influência sobre a Codevasf e direcionou emendas. Suspeito de controle informal da concessionária Bari Automóveis.
- Fernando Bezerra Coelho Filho (deputado federal): Destinou emendas, articulou com a Codevasf e participava da gestão da Bari Automóveis.
- Miguel Coelho (ex-prefeito de Petrolina): Chefiou a prefeitura no período dos repasses. Em sua gestão, a Liga Engenharia se tornou a principal contratada.
Núcleo Codevasf
Investigados por atuarem como “longa manus” do núcleo político, favorecendo contratações da Liga Engenharia:
- Aurivalter Cordeiro (ex-superintendente em Petrolina)
- Marcelo Andrade Moreira Pinto (ex-presidente)
- Henrique de Assis Coutinho Bernardes (diretor)
- Guilherme Almeida (ex-chefe de gabinete)
- Daniela Barbosa (pregoeira)
Núcleo Liga Engenharia
Sócios da empresa suspeitos de realizar movimentações financeiras atípicas e manter contato com o núcleo político:
- Fabrício Pontes Ribeiro Lima
- Pedro Garcez de Souza
Núcleo de Apoio e Ocultação
Inclui o atual prefeito de Petrolina, Simão Durando, secretários, assessores, familiares e um contador, suspeitos de intermediar e operar estruturas para ocultação de beneficiários e lavagem de dinheiro.
O que dizem os envolvidos
A defesa de Fernando Bezerra Coelho afirmou, em nota, que todos os recursos “foram corretamente destinados” e que confia na observância das “melhores práticas de governança” pelos órgãos beneficiados.
Fernando Filho e Miguel Coelho, em nota conjunta, disseram que “alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento” e destacaram um “viés político” na operação.
A Bari Automóveis negou qualquer vínculo societário ou de ingerência com o ex-senador e seus filhos, afirmando que eventuais relações pretéritas já foram arquivadas pelo STF.
A prefeitura de Petrolina informou que “atendeu com transparência total” os pedidos de apuração, que todos os repasses foram transformados em obras e que “não há qualquer decisão judicial que reconheça a prática de ilícito” por parte da gestão municipal.