A operação realizada nesta terça-feira (10) contra uma quadrilha de tráfico internacional de drogas é apontada por procuradores do Ministério Público Federal como um modelo eficaz para enfrentar facções criminosas por meio da cooperação internacional.
O debate ganha força diante da avaliação dos Estados Unidos sobre a possibilidade de declarar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Autoridades brasileiras temem que tal medida abra precedentes para intervenções americanas em assuntos nacionais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discutiu o tema por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
A Operação Costeau foi conduzida por uma equipe conjunta de investigação formada por procuradores brasileiros e pela Jurisdição Inter-regional Especializada da cidade de Rennes, na França, com participação da Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal (Eurojust).
A cooperação surgiu após autoridades francesas identificarem indícios da participação do PCC em um esquema que levava drogas à costa francesa. Procuradores brasileiros mapearam que todo o tráfico de drogas no Porto de Santos é dominado pela facção, que autoriza o uso do porto como rota.
O caso que desencadeou a investigação ocorreu quando autoridades francesas localizaram drogas no casco de um navio cargueiro que havia passado pelo porto. As embalagens possuíam dispositivos de rastreamento, indicando monitoramento da carga durante o trajeto.
Para procuradores, a operação demonstra que já existem instrumentos disponíveis para atuação conjunta no combate às facções, inclusive com os Estados Unidos. A classificação como organizações terroristas, no entanto, teria impactos diplomáticos e comerciais que vão além da capacidade de investigação.