O partido Novo ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (10) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores e a escola de samba Acadêmicos de Niterói. A legenda alega que o samba-enredo escolhido pela agremiação para o Carnaval de 2026 configura propaganda eleitoral antecipada.
O enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, será apresentado pela escola que estreia no Grupo Especial do Rio de Janeiro. O Novo pede a aplicação de uma multa de R$ 9,65 milhões, valor que, segundo o partido, corresponde ao custo econômico total da ação e a possíveis subvenções públicas recebidas pela escola.
Principais alegações do partido Novo
Na petição, o Novo argumenta que o conteúdo extrapola uma simples homenagem cultural, funcionando como uma peça de pré-campanha. Entre os pontos destacados estão:
- Referências à polarização política das eleições de 2022;
- Uso de elementos sonoros semelhantes a jingles de campanhas do PT;
- Menção ao número do partido (13);
- Expressões interpretadas como pedido indireto de voto.
O partido também questiona a neutralidade artística, citando que o presidente de honra da Acadêmicos de Niterói, Anderson Pipico, é vereador pelo PT na cidade.
Pedidos ao TSE
O Novo solicita uma decisão urgente (tutela de urgência) para:
- Impedir a execução do samba-enredo no desfile e em eventos relacionados;
- Proibir o uso de imagens e trechos da letra em peças de propaganda;
- Determinar a remoção de conteúdos já publicados nas redes sociais.
Em nota, o líder do Novo na Câmara, Marcel van Hattem, afirmou que a bancada também acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o uso de verbas públicas no caso.
Ação paralela da senadora Damares Alves
Separadamente, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o Ministério Público Eleitoral com queixa semelhante. Ela argumenta que o samba-enredo promove pessoalmente o presidente Lula e faz ataques a adversários, com menções diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Damares também destacou que o desfile terá transmissão nacional por emissoras de TV, que são concessões públicas, e questiona o financiamento do evento com recursos estaduais e federais. Sua representação cita repasses de R$ 40 milhões do governo do Rio para escolas do Grupo Especial e valores da Riotur que somariam quase R$ 2 milhões.
A senadora pede que o MP Eleitoral atue para impedir a veiculação do desfile em rádio e TV e responsabilize a escola pelo suposto uso de verba pública para promoção pessoal e campanha antecipada.