O governo do Distrito Federal perdeu a possibilidade de utilizar a União como avalista em operações de crédito devido a uma queda na sua avaliação de Capacidade de Pagamento (Capag). A nota, que era B em 2023 e 2024, caiu para C na avaliação de 2025, divulgada no início deste mês. Essa classificação mais baixa bloqueia o acesso à garantia federal, crucial para empréstimos com taxas de juros mais baixas e condições facilitadas.
A queda ocorreu principalmente devido à nota C recebida no indicador de “poupança corrente”, que revela que 95,27% da arrecadação do DF é destinada a despesas correntes, deixando pouco espaço para investimentos ou pagamento de dívidas. A perda da garantia da União é um obstáculo significativo para o plano do governo de Ibaneis Rocha (MDB) de obter um empréstimo para recapitalizar o Banco de Brasília (BRB), do qual é acionista controlador (71,92% do capital).
O BRB precisa reforçar seu patrimônio para atender às regras do sistema financeiro, após ser impactado por operações malsucedidas com o Banco Master. A instituição tem até 31 de março para divulgar seu balanço do segundo semestre de 2025 e as medidas concretas para recompor o capital.
Como alternativa, o governo do DF propõe usar nove imóveis públicos de grande porte como garantia para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, uma medida que ainda depende de aprovação da Câmara Legislativa. Sem a garantia federal, o custo e as condições de qualquer financiamento para socorrer o banco tendem a ser menos favoráveis, aumentando a pressão sobre as já combalidas finanças do Distrito Federal.