Na década de 1980, um norueguês apaixonado pelo Japão realizou uma proeza que mudaria para sempre a culinária global: introduziu o salmão cru no sushi, desafiando tradições seculares e conquistando o paladar japonês.

Bjørn-Eirik Olsen, um analista de mercado fascinado pela cultura japonesa desde a adolescência, foi o visionário por trás desta revolução gastronómica. Trabalhando no “Projeto Japão”, uma iniciativa do governo norueguês para abrir novos mercados para a sua pujante indústria do salmão, deparou-se com um obstáculo cultural: os japoneses não comiam salmão cru, associando-o a parasitas e considerando-o inferior ao atum ou à dourada.

Para superar esta barreira, Olsen e a sua equipa criaram uma estratégia engenhosa. Rebatizaram o produto como “Noruee saamon” (uma adaptação de “salmão norueguês”) para se distanciar da palavra japonesa “shake”, que carregava conotações negativas. Em seguida, lançaram campanhas de marketing e estabeleceram parcerias com chefs de televisão influentes, como Yutaka Ishinabe, para promover a qualidade e segurança do salmão norueguês de aquacultura.

O ponto de viragem ocorreu no início dos anos 90, quando uma crise de sobreprodução na Noruega ameaçou a indústria. Em vez de vender milhares de toneladas para uso em pratos cozinhados, o que arruinaria a nova imagem premium, Olsen negociou um acordo crucial com a gigante japonesa Nichirei para comercializar 5.000 toneladas especificamente para sushi e sashimi.

A popularização final veio com o boom dos restaurantes de sushi com correia transportadora (kaitenzushi), que surgiram após o estouro da bolha económica japonesa. O salmão, com a sua cor vibrante e sabor suave, tornou-se um favorito instantâneo, especialmente entre as crianças, que o agarravam alegremente da esteira rolante.

Hoje, o salmão é um dos ingredientes de sushi mais populares em todo o mundo, e a Noruega mantém-se como o maior produtor global. A história de Bjørn-Eirik Olsen é um testemunho notável de como a paixão cultural, a inovação estratégica e uma persistência incansável podem reescrever as regras de uma tradição gastronómica milenar.