A Natura &Co anunciou a conclusão da venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest, uma empresa local. A transação, realizada pela subsidiária Avon Netherlands Holdings II B.V., foi finalizada por aproximadamente 26,9 milhões de euros (cerca de R$ 166,2 milhões). Os recursos foram integralmente recebidos pela companhia em 17 de fevereiro de 2026.
Segundo comunicado oficial, a operação faz parte da estratégia de simplificação corporativa do grupo, que visa concentrar esforços e investimentos no crescimento dos negócios na América Latina, sua principal região de atuação.
Esta não é a primeira movimentação do grupo nesse sentido. Em setembro de 2025, a Natura já havia anunciado a venda das operações da Avon em seis países da América Central (Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana) para o Grupo PDC por US$ 22 milhões. Na ocasião, a empresa manteve o fornecimento de produtos e o licenciamento da marca na região até outubro de 2025.
A Natura informou que segue avaliando alternativas estratégicas para os ativos remanescentes da chamada Avon Internacional, que reúne operações fora do continente latino-americano.
Do sonho global ao foco regional
A venda na Rússia marca mais um passo no encerramento de um ambicioso ciclo de expansão global iniciado pela Natura em 2012. O projeto incluiu a aquisição da marca australiana Aesop, da britânica The Body Shop e, em 2019, a fusão com a americana Avon, criando a holding Natura&Co.
O objetivo era transformar a empresa brasileira em uma gigante global do setor de beleza, com presença em mais de 100 países e faturamento anual superior a US$ 10 bilhões. No entanto, a estratégia enfrentou desafios significativos, incluindo alto endividamento, complexidade na integração de culturas e modelos de negócio, e os impactos da pandemia de Covid-19 no consumo.
Diante deste cenário, a Natura iniciou um processo de desinvestimento. Em 2023, vendeu a Aesop por US$ 2,5 bilhões e, posteriormente, a The Body Shop por um valor inferior ao pago na aquisição. A venda da operação russa da Avon segue esta mesma lógica de simplificação e redução de riscos.
Analistas do mercado avaliam que a decisão representa uma mudança estratégica clara: a empresa optou por recuar da ambição global para se concentrar na América Latina, onde suas marcas Natura e Avon possuem maior participação de mercado, reconhecimento e vantagem competitiva. A expectativa é que o foco regional permita uma trajetória mais previsível, com redução de custos e maior rentabilidade operacional.