Na Serra da Canastra, em Minas Gerais, uma tradição secular continua viva através do mutirão para abater um porco, prática que garante alimento para uma família durante todo o ano. A reportagem clássica do Globo Rural, exibida originalmente em 2003 e revisitada recentemente, documenta essa mobilização comunitária em torno de um animal que chegava a pesar mais de 300 quilos.
A matriarca Dona Tide era a grande anfitriã do evento, que reunia parentes e vizinhos. O processo era meticuloso e nada era desperdiçado. Da gordura do porco, extraía-se a banha. As carnes eram transformadas em linguiças, torresmos e na chamada “carne de lata”, uma técnica de conservação que permitia que os alimentos durassem por meses.
Embora Dona Tide tenha falecido há seis meses, seus filhos mantêm viva a tradição familiar. Eles continuam a realizar o mutirão periodicamente, sendo o último registrado há dois anos. A prática vai além da subsistência, representando um forte elo de cooperação, partilha de saberes e preservação da cultura rural mineira.
Fonte: Reportagem original disponível no Globo Rural.