O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu publicamente a atuação do ministro Dias Toffoli enquanto relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Metrópoles, Motta classificou as críticas direcionadas ao ministro como “exageros” e afirmou que Toffoli cumpriu seu papel com “muito equilíbrio nas suas decisões”.
“As decisões proferidas pelo antigo relator, ministro Dias Toffoli, atenderam todos os pedidos que o Ministério Público e a Polícia Federal fizeram. Eu penso que houve um exagero da parte da mídia e, no geral, do papel que o ministro Toffoli cumpriu”, declarou Motta.
O presidente da Câmara também direcionou críticas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que atua no Senado. Para Motta, o colegiado estaria desvirtuando seu escopo original para “fazer palanque eleitoral sobre outro assunto”.
“Acho errado mudar escopo de CPI que estava apresentado com um intuito para querer fazer palanque eleitoral sobre outro assunto. CPI tem escopo, CPI tem fato determinado, e não é correto se pegar uma CPI para investigar aquilo que não foi o fato inicial o qual ela foi proposta, que é isso que infelizmente estamos vendo no Senado Federal”, argumentou.
A CPI do Crime Organizado aprovou, na véspera, a convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli e do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A comissão também determinou a quebra de sigilo de dados fiscais e bancários da empresa Maridt, dirigida pelos irmãos de Toffoli e da qual o ministro é sócio, e da Reag Investimentos, instituição financeira liquidada pelo Banco Central.
Questionado sobre pedidos de criação de novas CPIs para investigar o caso Master, Motta defendeu que os órgãos de controle já estão atuando. “Os órgãos de controle, a própria Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal estão apurando o caso, e dando a devida atenção à investigação acerca de possíveis irregularidades nesse assunto. Eu penso que o Supremo tem cumprido seu papel”, ponderou.
O ministro Dias Toffoli deixou de ser o relator do caso Master no STF em 12 de fevereiro, após reunião dos ministros da Corte. A decisão ocorreu na esteira dos avanços da investigação da Polícia Federal. O ministro André Mendonça foi sorteado para assumir a relatoria do processo.