A importação massiva de morango do Egito está provocando uma crise no setor agrícola do Espírito Santo. Produtores locais enfrentam uma concorrência desleal, já que a fruta estrangeira chega ao Brasil com preços inferiores ao custo de produção nacional.

Os números são alarmantes: as importações saltaram de 4 mil toneladas em 2022 para aproximadamente 42 mil toneladas em 2025. Enquanto o custo médio de produção na Região Serrana do ES varia entre R$ 15 e R$ 16 o quilo, o morango egípcio entra no país por cerca de R$ 8 o quilo, destinado principalmente à indústria de sucos e polpas na forma ultracongelada.

“Como é que o produtor vai sobreviver tendo custo de R$ 16 e vendendo morango a R$ 10 ou R$ 11, para tentar equilibrar a concorrência?”, questiona Vanderlei Marquez, secretário de Agropecuária de Santa Maria de Jetibá.

O impacto é sentido na renda das famílias. Regilvan Barbosa, produtor do município, cultiva 14 mil pés de morango e viu os custos de produção subirem 15% no último ano, agravando a situação. “Quando entraram esses morangos importados, ficou mais difícil para a gente. A agricultura familiar sente muito”, afirma.

O Espírito Santo, quarto maior produtor nacional com cerca de 10 mil toneladas anuais, vê sua economia regional ameaçada. O chamado Polo do Morango, formado por Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Afonso Cláudio, está em alerta.

Para tentar conter o problema, o governo estadual enviou um ofício ao Ministério da Agricultura solicitando a análise da Câmara de Comércio Exterior sobre a elevação da tarifa de importação, atualmente em torno de 4%. “O morango de fora pode vir, mas precisa haver uma relação justa”, defende o secretário estadual Enio Bergoli.

As cooperativas também sofrem. Em Santa Maria de Jetibá, uma delas precisou reduzir o valor pago aos agricultores de R$ 7,50 para uma faixa entre R$ 2,50 e R$ 5,00 o quilo para se manter competitiva. “Hoje, o produtor está bem desanimado. Percebemos muitas desistências de plantio para 2026”, relata Geovane Schulz, diretor comercial de uma cooperativa.

Como alternativa, pesquisadores do Incaper recomendam a diversificação das lavouras com outras frutas para reduzir riscos, mas alertam que a transição é lenta e complexa para quem depende exclusivamente do morango.