Após novas revelações sobre supostas fraudes e uma campanha coordenada contra o Banco Central, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) manifestam o desejo de se distanciar do caso envolvendo a liquidação do Banco Master. A avaliação interna é de que o tribunal ingressou de forma equivocada no tema, transmitindo a imagem de estar mais focado em investigar a ação do BC do que nas próprias fraudes que podem ter causado prejuízos bilionários.

Ministros ouvidos pelo blog, que retornam do recesso na próxima semana, indicam que o plenário do TCU não deve aprovar uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do Master. O caso, envolto em polêmicas políticas e com investigações em andamento pela Polícia Federal, é considerado “explosivo” e capaz de trazer mais novidades negativas.

As descobertas recentes sobre influenciadores contratados para atacar a autoridade monetária reforçam a tese de uma operação criminosa para proteger o Master e desacreditar sua liquidação. O que começou com casos isolados se mostrou uma campanha coordenada nas redes sociais contra a Febraban e o Banco Central, alarmando os ministros da corte de contas.

As críticas à iniciativa do TCU de pedir a inspeção levaram a um recuo do tribunal e à marcação de uma reunião entre seus presidentes, Vital do Rêgo, e do Banco Central, Gabriel Galípolo. A decisão do ministro Jonathan de Jesus, que deu origem ao pedido, foi alvo de questionamentos internos e externos sobre os limites de atuação do TCU em um processo de liquidação bancária.

Investigadores reclamam que o foco inicial do tribunal foi questionar quem liquidou o banco, e não as operações irregulares do Master que podem ter causado um rombo de R$ 4 bilhões, afetando o banco público BRB e clientes da instituição. A mensagem percebida, segundo técnicos, era de que o tribunal estaria mais preocupado com o dono do banco do que com as vítimas das fraudes.

Fonte: G1 – Blog do Valdo Cruz