Em meio às recentes revelações da Operação Compliance Zero e à liquidação da Reag pelo Banco Central, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) têm aconselhado os colegas relatores a agirem com “toda cautela” possível. O alerta se deve ao “potencial explosivo” das investigações, que envolvem o Banco Master.

Os avisos são dirigidos aos ministros Dias Toffoli, do STF, e Jonathan de Jesus, do TCU, que conduzem os respectivos processos. A informação que circula entre os ministros do Supremo é de que as investigações ainda trarão à tona não apenas mais fraudes, mas também o desvio de recursos do banco para enriquecimento familiar.

Daniel Vorcaro, dono do Master, e João Carlos Mansur, ex-sócio e ex-comandante da Reag, são os principais alvos. Ambos negam qualquer irregularidade.

Mal-estar no STF com decisão de Toffoli

Na quarta-feira (14), uma decisão inicial do ministro Dias Toffoli gerou tensão entre os pares. Ele determinou que todos os bens apreendidos na segunda fase da operação fossem lacrados e levados para o STF, desviando do procedimento padrão, que mantém a custódia com a Polícia Federal.

O mal-estar foi agravado pela falta de estrutura no Supremo para armazenar itens como carros, armas, relógios, dinheiro e equipamentos eletrônicos, e pela ausência de uma equipe técnica para realizar a perícia digital, tarefa sempre executada pela PF.

Após críticas, Toffoli reverteu a decisão no início da noite, transferindo a custódia para a Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, a mudança ainda mantém a PF afastada da análise inicial do conteúdo dos celulares e computadores apreendidos.

Novo processo sigiloso no TCU

No Tribunal de Contas da União, o ministro Jonathan de Jesus desarquivou um processo sigiloso para investigar a liquidação do Banco Master. O Banco Central, responsável pela liquidação, não foi informado sobre a abertura deste procedimento, que corre em paralelo a uma inspeção já em curso no TCU sobre o mesmo tema.

A revelação do processo sigiloso irritou colegas de Jonathan, que o aconselharam a arquivá-lo novamente com urgência. O ministro teria se comprometido a fazê-lo ainda na quinta-feira (15).

O caso do Banco Master, com suas ramificações financeiras e políticas, continua a gerar repercussões de grande magnitude, exigindo cuidado redobrado das autoridades judiciais e de controle.