O governo federal não planeja reduzir as taxas de juros do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo diante da expectativa de queda da taxa básica de juros (Selic) ainda em 2026. A declaração foi feita pelo ministro das Cidades, Jáder Filho, durante evento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Não há previsão de baixar mais os juros”, afirmou o ministro, ressaltando que as taxas do programa já se encontram no menor patamar histórico. Enquanto a Selic permanece em 15% ao ano, o MCMV oferece condições bem mais acessíveis, especialmente para famílias de baixa renda.

Na Faixa 1 do programa, destinada a famílias com renda de até R$ 2.850, a taxa de juros é de 4% ao ano nas regiões Norte e Nordeste e de 4,25% ao ano nas demais regiões do país. Segundo Jáder Filho, os resultados positivos do programa demonstram que as condições atuais “estão atendendo à necessidade do povo brasileiro”.

A meta do Ministério das Cidades é assinar 1 milhão de novos contratos do MCMV em 2026, mantendo esse ritmo em 2027. A expectativa do governo é encerrar o mandato com um total de 3 milhões de contratos firmados no âmbito do programa.

Este anúncio ocorre em um momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes da Selic, possivelmente já em março, diante de um cenário de inflação mais controlada. No entanto, o ministro deixou claro que essa eventual flexibilização da política monetária não se refletirá automaticamente no programa habitacional.

Enquanto isso, os juros elevados no resto da economia já mostram seus efeitos. Dados do Banco Central indicam que a taxa média cobrada pelos bancos em operações de crédito subiu 6,5 pontos percentuais em 2025, fechando dezembro em 47,2% ao ano. Esse aumento, o maior desde 2022, tem contribuído para uma desaceleração no volume total de crédito e para um crescimento na taxa de inadimplência, que encerrou 2025 em 4,1%.