O mercado financeiro iniciou 2026 com projeções que apontam para um cenário de queda gradual dos juros, inflação dentro da meta e desaceleração no ritmo de crescimento da economia. As estimativas, coletadas junto a mais de 100 instituições financeiras, foram divulgadas nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central no boletim Focus.
Inflação dentro da meta
As expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foram ajustadas para 4,31%, representando a oitava queda consecutiva nas projeções. Para os anos seguintes, as previsões são de 4,06% (2027), 3,80% (2028) e 3,50% (2029). Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo do Banco Central é manter a inflação em 3%, considerando-se dentro da meta a variação entre 1,5% e 4,5%. Se confirmada, esta será a primeira vez, desde antes de 2024, que a inflação anual fechará dentro dos limites estabelecidos.
Trajetória de queda da taxa de juros
Após encerrar 2025 em 15% ao ano, seu maior patamar em quase duas décadas, a taxa básica de juros (Selic) deve iniciar um ciclo de redução. O mercado projeta que a Selic terminará 2026 em 12,25% ao ano, uma queda de 2,75 pontos percentuais. Para os anos seguintes, as expectativas são de 10,50% (2027) e 9,75% (2028).
Crescimento econômico mais moderado
Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, ano marcado por eleições presidenciais, a projeção de crescimento foi mantida em 1,80%. Se confirmado, este será o menor ritmo de expansão em cinco anos, refletindo o impacto dos juros elevados sobre a atividade econômica. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e seu desempenho é um termômetro da saúde da economia.
Estabilidade cambial projetada
Apesar do cenário eleitoral, que historicamente gera pressão sobre a moeda, o mercado projeta relativa estabilidade para o dólar em 2026. A expectativa é que a cotação termine o ano em R$ 5,50, após uma desvalorização de mais de 11% em 2025 – o pior desempenho da moeda norte-americana em quase uma década. Essa trajetória anterior refletiu expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos e preocupações com a política fiscal norte-americana.
Fonte: Boletim Focus, Banco Central. Dados compilados a partir de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. Conteúdo original disponível em: G1 Economia.