Um mercado de trabalho aquecido está a transformar a dinâmica entre empresas e trabalhadores no Brasil. Com a taxa de desemprego a atingir o seu nível mais baixo desde o início da série histórica, os empregados ganham um novo poder de negociação.

Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV IBRE, explica que este cenário reduz o desequilíbrio tradicional na relação laboral. “Quando chegamos a este momento de um mercado de trabalho mais aquecido, quem ganha poder de barganha é o próprio trabalhador, porque ele acaba por ver que é uma mão de obra escassa”, afirmou em entrevista ao podcast O Assunto.

Esta escassez permite aos profissionais uma maior liberdade de escolha. “Se ele trabalha num determinado local e abre uma vaga, da mesma atuação, numa empresa vizinha, ele pode negociar um salário mais alto, pode negociar mais benefícios”, exemplifica Tobler.

As empresas, por sua vez, estão a ser forçadas a adaptar as suas ofertas para atrair e reter talentos. Para além dos benefícios tradicionais, como vale-transporte e vale-alimentação, estão a surgir negociações sobre carga horária e, claro, remuneração. Setores com maior procura, como o de supermercados, têm registado alguns dos maiores aumentos nos salários de admissão.

Os números confirmam a tendência: o Brasil registou a criação de 1,27 milhões de novos empregos formais em 2025, segundo o Ministério do Trabalho. Este ambiente competitivo está a criar um equilíbrio de forças mais justo, onde o valor do trabalhador é finalmente reconhecido no momento da contratação e ao longo da carreira.