Em uma tarde na cidade de São Paulo, o publicitário Arthur Santana Domingues, de 23 anos, abre o aplicativo da Food To Save no celular, empolgado para comprar comida acessível para um lanche.
Esta cena se repete diariamente em milhares de celulares, ilustrando um movimento global que combina tecnologia, sustentabilidade e economia. Aplicativos como o Food To Save conectam consumidores a estabelecimentos comerciais que têm excedentes de alimentos perfeitamente bons para o consumo, mas que seriam descartados por questões estéticas, de validade próxima ou simplesmente por sobra no final do dia.
Este modelo de negócio, conhecido como “resgate de alimentos” ou “xepa virtual”, está se transformando em um mercado bilionário. Ao redor do mundo, startups têm atraído investimentos vultosos para escalar soluções que combatem o desperdício alimentar, um problema que custa à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
No Brasil, o cenário não é diferente. Além de combater o desperdício, essas plataformas oferecem uma alternativa de alimentação mais barata em um momento de alta no custo de vida, enquanto geram uma nova fonte de renda para bares, restaurantes, padarias e supermercados.
O sucesso desses aplicativos reside em uma proposta de valor tripla: o consumidor economiza, o comerciante reduz perdas e gera receita com o que seria lixo, e o planeta se beneficia com a redução da pegada de carbono associada à produção e ao descarte de alimentos.
Com a crescente conscientização ambiental e a busca por consumo mais consciente, esse mercado promete continuar sua expansão, salvando toneladas de comida do lixo e redefinindo nossa relação com os alimentos.
Fonte: Folha de S.Paulo