Políticos e autoridades dos Três Poderes foram citados em mensagens de WhatsApp extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e enviadas à CPMI que investiga fraudes no INSS. A lista inclui nomes como o senador Ciro Nogueira, o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de outras figuras públicas.
O material, obtido por quebra de sigilo telemático autorizada pela Justiça, abrange conversas de Vorcaro com a namorada, a modelo Martha Graeff, entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. As mensagens descrevem reuniões, eventos e viagens com autoridades, mas a simples citação não implica que os nomes citados sejam investigados pela PF ou pela CPMI.
Principais nomes citados e contextos
Ciro Nogueira: O senador é descrito por Vorcaro como “um grande amigo”. As conversas detalham convivência em almoços, jantares e viagens. Em agosto de 2024, Vorcaro comemorou uma proposta do senador para aumentar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, chamando-a de “bomba atômica no mercado financeiro”. Ciro Nogueira afirmou, em nota, que mantém diálogos com centenas de pessoas e que “não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”.
Jair Bolsonaro: Em julho de 2024, Vorcaro chamou o ex-presidente de “idiota” e “beócio” após Bolsonaro comentar, no X, uma notícia envolvendo o Master e a Caixa. O banqueiro reclamou que a publicação ampliou a repercussão do caso.
Alexandre de Moraes: Vorcaro relata supostos encontros com o ministro do STF em situações informais e reuniões políticas. Em uma mensagem de abril de 2025, afirma estar indo encontrá-lo “perto de casa”. O STF e o gabinete do ministro não se manifestaram.
Lula: Em dezembro de 2024, as mensagens citam um encontro com o presidente em Brasília, descrito como “muito forte” e que teria envolvido também ministros e Gabriel Galípolo. Lula confirmou o encontro, disse que foi procurado a pedido do ex-ministro Guido Mantega e afirmou que não haveria “posição política pró ou contra o Banco Master”, apenas investigação técnica.
Outras menções: A lista inclui ainda o deputado Aécio Neves, citado em um almoço que gerou desconforto em Vorcaro; o ex-governador João Doria, que enviou mensagens de apoio; os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre; o deputado Fausto Pinato; o presidente do União Brasil, Antônio Rueda; e até figuras internacionais como Ivanka Trump e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.
As mensagens foram enviadas à CPMI do INSS, que investiga se contratos de crédito consignado foram usados em fraudes do Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025. O material não foi mencionado pelo ministro André Mendonça na decisão que decretou a nova prisão de Vorcaro, na terceira fase da Operação Compliance Zero.