O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), substituindo Dias Toffoli, que pediu a redistribuição do processo. A mudança ocorre em um momento de avanços nas investigações da Polícia Federal e coloca Mendonça no centro das decisões sobre o futuro das apurações.
Agora, caberá ao novo relator analisar todo o andamento processual, decidir sobre o nível de sigilo dos inquéritos e avaliar se o caso permanece no STF ou se será remetido à Justiça Federal de primeira instância. Entre os documentos que Mendonça receberá está o relatório da PF que aponta autoridades com foro privilegiado citadas nas conversas do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel.
Dois inquéritos estão sob a relatoria de Mendonça: um sobre a operação de compra do Banco Master pelo BRB (com prazo prorrogado até março) e outro referente à segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master.
A redistribuição ocorreu após a PF apresentar um relatório com menções ao ministro Toffoli nos dados apreendidos do celular de Daniel Vorcaro. O colegiado do STF, no entanto, afastou a arguição de suspeição contra Toffoli, mantendo a validade de todos os atos por ele praticados no caso.
Como relator, Mendonça supervisionará as investigações, receberá informações dos investigadores e decidirá sobre a realização de novas diligências. O ministro também é relator do inquérito sobre fraudes no INSS, caso que tem conexão com as investigações do Master devido às suspeitas de irregularidades na concessão de crédito consignado.
O caso Master chegou ao STF em dezembro do ano passado, após Toffoli entender que havia indícios envolvendo uma autoridade com foro privilegiado. Desde então, o ministro autorizou depoimentos, acareações e a prorrogação das investigações, além de ter validado operações da PF que incluíram buscas em endereços ligados a Vorcaro e familiares.