Lideranças do MDB reagiram com veemência aos rumores de que o partido estaria negociando a vaga de vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026. Fontes internas classificaram a informação como um “balão de ensaio” estratégico, plantado para criar um fato político antecipado e enfraquecer as alianças que o partido mantém com a oposição em estados-chave.
Segundo emedebistas ouvidos, o entorno do presidente Lula teria interesse direto em disseminar essa tese para corroer alianças estaduais. O caso mais emblemático seria o de São Paulo, onde o prefeito Ricardo Nunes (MDB) é peça fundamental no apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A pressão para que o MDB aceite a vice de Lula, agora, seria uma tentativa de “implodir” esse palanque paulista.
Internamente, líderes do partido ressaltam que qualquer apoio formal à reeleição de Lula precisaria percorrer um longo e árduo caminho institucional. Primeiro, seria necessário convencer os diretórios estaduais e, depois, submeter a proposta à convenção nacional. Só então se iniciaria uma discussão sobre nomes para a vice-presidência.
O cenário real, no entanto, aponta para uma resistência interna considerável. Atualmente, a maioria dos diretórios estaduais do MDB é contrária a uma composição com o PT. A maior dificuldade apontada é a montagem de palanques nas regiões Sudeste e Sul.
Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, o partido está alinhado a forças de centro-direita e vê com extremo ceticismo qualquer tentativa de nacionalizar uma aliança com Lula, sob o risco de perder relevância política regional.
Em 2022, mesmo após investidas de Lula, o MDB lançou a candidatura própria de Simone Tebet à Presidência. Derrotada no primeiro turno, Tebet anunciou apoio a Lula no segundo turno, mas a legenda manteve sua independência.