O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, realizou nesta terça-feira (3) uma série de contactos telefónicos com os seus homólogos do Médio Oriente, no contexto da crescente escalada militar na região. As conversas centraram-se na avaliação do cenário bélico e na protecção dos interesses brasileiros.

Vieira conversou com Ayman Safadi, da Jordânia; Jarrah Jaber Al-Ahmad Al-Sabah, do Kuwait; e Abdullah bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Este último contacto foi o segundo em dois dias, após os recentes ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão.

Segundo comunicados do Itamaraty, os diálogos abordaram:

  • Com a Jordânia: Os ataques iranianos ao território jordaniano e os possíveis cenários de conflito. Vieira transmitiu a solidariedade do Brasil e a preocupação com a expansão regional da crise.
  • Com o Kuwait: Os impactos da crise para o país, para a região e para a economia global, além da situação da comunidade brasileira no Kuwait.
  • Com os EAU: Os desdobramentos da guerra e o fechamento do espaço aéreo regional, com atenção especial aos brasileiros retidos nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi devido às restrições de voos.

Antes destes contactos, Vieira actualizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação. O governo brasileiro mantém um trabalho de recolha de informação e avaliação junto a parceiros regionais, com prioridade na segurança dos cidadãos brasileiros na área de conflito.

Paralelamente, o governo avalia os impactos da escalada e possíveis iniciativas diplomáticas. Na segunda-feira (2), o assessor especial da Presidência, embaixador Celso Amorim, conversou com Lula, recordando os esforços diplomáticos brasileiros de 2010, como a Declaração de Teerã – uma proposta conjunta com a Turquia e o Irão para reduzir tensões sobre o programa nuclear iraniano, que foi rejeitada pelos EUA.

Em declarações à GloboNews, Amorim alertou que o Brasil “deve preparar-se para o pior”, dado o potencial de alastramento do conflito com o Irão.