Marciano Testa, fundador e controlador do Agibank, é o mais novo brasileiro a ingressar na lista de bilionários da Bloomberg. A entrada ocorreu após a estreia da fintech na Bolsa de Nova York, marcando o segundo IPO de uma empresa brasileira desde 2021.

Apesar de as ações do Agibank terem fechado o primeiro dia de negociação com queda de aproximadamente 10%, a participação de 63% de Testa na empresa foi avaliada em cerca de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), considerando o preço de fechamento de US$ 10,75 por ação.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, explica que o valor captado no IPO não reflete a totalidade da empresa. As ações de classe A foram vendidas a US$ 12 cada, levantando cerca de US$ 240 milhões, montante que corresponde apenas aos novos papéis ofertados.

“Como o CEO tem cerca de 63% do banco, considerando o fechamento da ação a US$ 10,75, essa participação vale aproximadamente US$ 1,1 bilhão. Esse valor está principalmente em ações de classe B, que não são listadas e não têm liquidez. Então, teoricamente, sim, ele se tornou bilionário”, afirmou Alves.

Natural do Rio Grande do Sul, Testa, de 49 anos, iniciou sua trajetória no setor financeiro com a criação da Agiplan, que deu origem ao Agibank. Sob sua liderança, a instituição uniu atendimento digital e uma rede de mais de 1.000 pontos físicos, crescendo com foco no crédito consignado e em serviços para clientes de baixa renda.

Além do banco, Testa é cofundador e presidente do Instituto Caldeira, uma iniciativa privada voltada para acelerar a transformação digital no Rio Grande do Sul.

Formado em Ciências Econômicas pela Unisinos, com especialização em Finanças, Testa também participou do Executive Program da Singularity University e do programa Owner/President Management (OPM) da Harvard Business School. Em 2025, ele ocupou a 97ª posição na lista de bilionários brasileiros da Forbes, com patrimônio estimado em R$ 4,1 bilhões.

O IPO do Agibank é o segundo de uma empresa brasileira desde 2021, seguindo o caminho aberto pela fintech PicPay, que listou suas ações na Nasdaq em janeiro. Antes disso, o último IPO havia sido o do Nubank, em 2021.

Testa manteve o controle do Agibank por meio de ações especiais da classe B, que concentram quase todo o poder de voto. Essas ações não são negociadas em bolsa, mas podem ser convertidas em ações ordinárias caso o fundador decida vender parte de sua participação.

O Agibank opera com uma plataforma digital combinada a pontos físicos e possui mais de 6,4 milhões de clientes ativos. O foco da instituição é oferecer crédito consignado a aposentados, com parcelas descontadas diretamente dos benefícios do INSS.